Desmatamento na Amazônia cresce 51% em meio à pandemia do coronavírus

 Desmatamento na Amazônia cresce 51% em meio à pandemia do coronavírus

Especialistas ambientais dizem que pandemia de COVID-19 no Brasil pode virar cortina de fumaça para encobertar crimes na Amazônia

O Brasil todo sofre com a pandemia de coronavírusA região Norte foi a primeira a ver o sistema de saúde entrar em colapso por causa dos leitos sobrecarregados e da falta de estrutura para atender os pacientes com COVID-19. A situação, conforme alertou a médica Mylla Borges, de 28 anos, em entrevista para a CAPRICHO, só piora porque, nesta época do ano, surtos de Influenza e Dengue também lotam os hospitais da região. Além disso, segundo informações da Fundação Oswaldo Cruz, pessoas que vivem em cidades que sofrem com desmatamento e queimadas apresentam 36% mais chances de serem internadas por problemas respiratórios. Não há sistema de saúde que aguente.

Curiosamente, ou não, o desmatamento na Amazônia aumentou 51% em meio à crise de coronavírus no país, de acordo com dados do Ministério Público Federal, em comparação com o primeiro trimestre de 2019. Para especialistas ambientais, isso não é nenhuma coincidência, pois a pandemia de COVID-19 está funcionando como uma cortina de fumaça para acobertar crimes ambientais ou, pelo menos, desviar a atenção deles. Dados do próprio MPF comprovam que, no primeiro trimestre de 2020, o número de atuações de fiscais foi o menor registrado em 20 anos na região amazônica. Se a fiscalização segue diminuindo, o desmatamento segue aumentando.

Para o Greenpeace, “a redução nos autos de infração emitidos pelo Ibama é provavelmente uma das razões. Afinal, se as ações de fiscalização contra o crime na Amazônia diminuem, madeireiros, grileiros e garimpeiros têm estrada aberta, literalmente, para desmatar”. A organização também chama a atenção para uma medida provisória proposta no ano passado pelo presidente Jair Bolsonaro, a MP 920/2019, que pretende garantir a regularização de terras públicas que tenham sido invadidas até 2018. Estima-se que, caso a medida seja aprovada, 237 terras indígenas, que ocupam um território de quase 10 milhões de hectares, sejam transformadas em imóveis privados – imóveis esses do mesmo tipo dos que estariam por trás daquele caso polêmico envolvendo os brigadistas de Alter do Chão, no Pará. A MP tem até 19 de maio para ser votada e é bem provável que não seja aprovada.

“O governo Bolsonaro, desde que começou, implementou uma política antiambiental que enfraqueceu órgãos de controle, seja reduzindo orçamento, seja afastando ou mudando posições estratégicas ou reduzindo o número de fiscalizações”, explicou Cristiane Mazzetti, uma das responsáveis pela “Campanha da Amazônia” da ONG Greenpeace, em entrevista ao Brasil de Fato. A gerente ambiental aproveitou ainda para deixar claro que não dá para não priorizar a saúde pública no momento atual em que vivemos, mas que as questões ambientais não deveriam ser deixadas tão em segundo plano, pois também refletem diretamente na saúde da população: “A gente entende que tem uma prioridade de conter essa crise na saúde, mas também o meio ambiente não pode ser deixado de lado. Mesmo porque, esses agentes que entram na floresta podem ser também agentes que vão transmitir a doença para populações mais vulneráveis: povos indígenas, comunidades tradicionais, pequenos agricultores. (…) Quanto mais a gente destrói os ecossistemas, mais facilitamos o aparecimento ou transmissão de doenças que podem se transformar em epidemias e pandemias. Se a gente pegar o caso do desmatamento, a partir do momento em que promovemos a degradação das florestas, tirando madeira, nós humanos entramos em contato com possíveis hospedeiros e patógenos. O próprio coronavírus tem a origem zoonótica, que são doenças transmitidas de animais para humanos. Exemplo disso são zika, febre amarela, e o próprio coronavírus”, disse.

Créditos: Capricho

Raphaela Vitiello

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